sábado, 7 de maio de 2016

QUAL A DIFERENÇA ENTRE VAGINISMO E DISPAREUNIA?


As dúvidas sobre o tema incentivaram-me a escrever algo sobre as síndromes de dor sexual, chamadas  de VAGINISMO E DISPAREUNIA. Mesmo no meio médico, pouca gente sabe o que é isso, ou qual a diferença entre essas duas disfunções sexuais. 
O vaginismo é  quando a mulher de alguma forma atrapalha ou impede a penetração vaginal(seja pelo pênis, ou por absorventes íntimos, ou por aparelhos ginecológicos, ou brinquedos sexuais) devido a  uma contração dos músculos internos.   Já a dispareunia é a dor à penetração. A mulher  sente dor, seja durante a relação sexual, ou na masturbação, na introdução de outros objetos, etc., e às vezes mesmo sem nenhuma penetração. 
O DSM-V, que é o manual da Associação Psiquiátrica Americana(APA) que regula os diagnósticos das doenças mentais retirou esses dois diagnósticos da publicação, englobando-os em um único nome: Transtornos da Dor Genito-Pélvica e da Penetração. Isso porque a a dispareunia e o vaginismo são às vezes indistinguíveis um do outro ou quase sempre aparecem juntos. O componente  destas duas disfunções é um medo da penetração vaginal, seja porque ela causa dor, sente porque a mulher tem medo de sentir a dor. O grau de medo varia de mulher para mulher, podendo  chegar a ser uma verdadeira fobia. Hoje em dia há muitos tratamentos para a dispareunia e o vaginismo, ou como quer o DSM-V, para o transtorno da dor gênito-pélvica e da penetração, mas sabemos que o melhor de todos os tratamentos é interdisciplinar. Medicina, psicologia e fisioterapia, podem oferecer uma abordagem conjunta para a melhor resolução. Estas síndromes são mais complexas do que parecem e existe até uma associação internacional para o estudo delas. Só muito recentemente na medicina passamos a dar a verdadeira importância a elas, pois entre 15 a 25% das mulheres as possuem. 
 Para que se considere que a mulher tem o transtorno de dor gênito-pélvica e da penetração é preciso que :
a) o transtorno esteja ocorrendo há mais de 6 meses
b)Ele ocorra em mais de 75% das tentativas de penetração vaginal
c)Ele esteja provocando sofrimento psíquico à mulher(esse critério é muito importante).


Na faculdade de Ciências Médicas, onde trabalho e coordeno o ambulatório de medicina sexual , fazemos trabalhos interdisciplinares sobre dor sexual, principalmente em conjunto com o departamento de fisioterapia da saúde da mulher. Em meu consultório particular, já atendi uma centena de mulheres com dor sexual. Essas mulheres  perambulam de consultório em consultório sem encontrar tratamento adequado, pois o conhecimento do problema é pequeno entre os profissionais. Trata-se de uma área em que os estudos são crescentes. Há muito interesse no tema. 
A síndrome de dor sexual é uma síndrome psicossomática e assim deve ser abordada. 


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