segunda-feira, 15 de agosto de 2016

CURSO SOBRE CONHECIMENTO E ATENDIMENTO INTERDISCIPLINAR DOS TRANSTORNOS DA SEXUALIDADE HUMANA.

CURSO SOBRE CONHECIMENTO E ATENDIMENTO INTERDISCIPLINAR DOS TRANSTORNOS DA SEXUALIDADE HUMANA.

Nos próximos dias 16, 17,18 de setembro, estarei coordenando o curso acima na faculdade de Ciências Médicas, onde leciono. O curso é destinado a alunos e graduados das áreas de saúde e humanas, e será dado por mim e outros professores destas diferentes áreas, especialistas em sexualidade humana.
Para saber mais sobre o curso e se inscrever, entre no link abaixo, da faculdade

(http://www.cmmg.edu.br/cursos/conhecimento-e-atendimento-interdisciplinar-em-sexualidade-humana-e-seus-transtornos/).

terça-feira, 26 de julho de 2016

CASAMENTO E SEXO, OU, CASAMENTO É SEXO

Premissa número um:quem casa  pretende ter uma vida sexual com o cônjuge.
Premissa número dois: o que faz duas pessoas que moram juntas serem consideradas casadas é o fato de praticarem o sexo entre si.
Premissa número três: quando um dos cônjuges decide não praticar o sexo com o outro cônjuge, a instituição casamento está em dificuldades
A falta de desejo sexual de um parceiro pelo outro, no casamento, tem sido explicada de muitas maneiras, por médicos e psicólogos. Eu explico o sexo como a motivação para a vida íntima e considero que a falta de desejo sexual pelo parceiro está relacionada à desistência desta parte fundamental do casamento. Assim, se os conjuges permanecem juntos sem fazer sexo serão sócios, amigos, mas não cônjuges. Não escrevo aqui marido e esposa porque isso é válido também para casais homossexuais.
O cônjuge que não quer fazer sexo com o outro não o quer porque:
a)já tem outra pessoa
      ou
b)pretende ter outra pessoa
      ou
c)não tem outra pessoa mas não mais ama o outro mais cedo ou mais tarde vai ter outra pessoa

em resumo:este casamento está fadado ao fim.

O cônjuge que não quer sexo força o outro a procurar outra pessoa.

Admitem muitos que os problemas de desejo sejam causados por questões hormonais. Larguei desta teoria após anos e anos de trabalho como sexólogo: cansei de ver homens e mulheres castrados cirurgicamente e com muito apetite sexual: para isso bastava amar seus(suas) parceiros(as),  Sexo, no namoro, significa sedução, no casamento, admiração. Admitem outros que sexo é estética. Larguei desta teoria após ver pessoas sentindo muito desejo por seus cônjuges aleijados, doentes, obesos, envelhecidos, drogados, etc, desde que os amassem.
O parceiro que não tem mais desejo pelo outro deveria pensar muito na separação. Ele, quase sempre está ludibriando o outro, que pacientemente espera pela sua melhora.
Eu excluo aqui os casamentos por interesse ou por violência doméstica, que são situações especiais.
Casamento para mim é sexo e sexo é desejo de intimidade. Desejo de intimidade não é o amor, mas um componente fundamental dele.
Para fazer sexo o que sempre se precisa é motivação para vida entre quatro paredes. A motivaçao está dentro de cada um. Ela se chama também vontade, perseverança, abnegação, altruísmo, embora o limite de tudo seja o fim do amor.


sábado, 7 de maio de 2016

QUAL A DIFERENÇA ENTRE VAGINISMO E DISPAREUNIA?

Na próxima semana darei uma aula no Congresso Mineiro de Ginecologia e Obstetrícia, que acontecerá em Belo Horizonte, entre os dias 11 e 14 de maio. O tema de minha aula é: DSM-V, A NOVA NOMENCLATURA DAS DISFUNÇÕES SEXUAIS, IMPLICAÇÕES CLÍNICAS.
O tema desta aula incentivou-me a escrever algo sobre as síndromes de dor sexual, chamadas até agora de VAGINISMO E DISPAREUNIA. Mesmo no meio médico, pouca gente sabe o que é isso, ou qual a diferença entre essas duas disfunções sexuais. 
Diz-se que a mulher é portadora de vaginismo quando ela de alguma forma atrapalha ou impede a penetração vaginal(seja pelo pênis, ou por absorventes íntimos, ou por aparelhos ginecoógicos, ou brinquedos sexuais) devido a  uma contração dos músculos internos da pelve. O vaginismo pode ser completo. Nesse caso a mulher não consegue obter qualquer tipo de penetração vaginal. Pode ser, por outro lado, incompleto, permitindo alguma ou total penetração, porém com contração dos músculos da pelve, ou até dos músculos de todo o corpo.  Já a dispareunia é a dor à penetração. A mulher não tem uma contratura da vagina à penetração, mas sente dor, seja durante a relação sexual, a masturbação, a introdução de outros objetos, etc., e às vezes mesmo sem nenhuma penetração. 
O DSM-V, que é a quinta edição do manual da Associação Psiquiátrica Americana(APA) que regula os diagnósticos das doenças mentais retirou esses dois diagnósticos da publicação, englobando-os em um único nome: Transtornos da Dor Genito-Pélvica e da Penetração. Isso porque a a dispareunia e o vaginismo são às vezes indistinguíveis um do outro ou quase sempre aparecem juntos. O componente atual  destas duas disfunções é um medo da penetração vaginal, seja porque ela causa dor, sente porque a mulher tem medo de sentir a dor. O grau de medo varia de mulher para mulher, podendo  chegar a ser uma verdadeira fobia. Hoje em dia há muitos tratamentos para a dispareunia e o vaginismo, ou como quer o DSM-V, para o transtorno da dor gênito-pélvica e da penetração, mas sabemos que o melhor de todos os tratamentos é interdisciplinar. Medicina, psicologia e fisioterapia, principalmente, podem oferecer uma abordagem conjunta para a melhor resolução. Estas síndromes são mais complexas do que parecem e existe até uma associação internacional para o estudo delas. Só muito recentemente na medicina passamos a dar a verdadeira importância a elas, pois entre 15 a 25% das mulheres a possuem. Abaixo vou colocar a nomenclatura atual (do DSM_V) para o transtorno da dor gênito-pélvica e da penetração, para que as mulheres possam saber do que se trata. 
O DSM-V, tem alguns critérios básicos para a classificação de todas as disfunções sexuais, que é muito importante ter em mente para não tornar todas as mulheres doentes. Para que se classifique alguém como tendo o transtorno de dor gênito-pélvica e da penetração é preciso que :
a) o transtorno esteja ocorrendo há mais de 6 meses
b)Ele ocorra em mais de 75% das tentativas de penetração vaginal
c)Ele esteja provocando sofrimento psíquico à mulher(esse critério é muito importante).

Se então, os três critérios acima existirem  chamaremos de transtorno da dor gênito-pélvica e da penetração(segundo o DSM-V):
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TRANSTORNO DA DOR GÊNITO-PELVICA/PENETRAÇÃO(Genito-pelvic pain/penetration disorder)
A. Dificuldades persistentes ou recorrentes com um (ou mais) dos seguintes:
1. Penetração vaginal durante a relação sexual.
2. Dor vulvovaginal ou pélvica intensa durante a relação sexual vaginal ou nas tentativas
de penetração.
3. Medo ou ansiedade intensa de dor vulvovaginal ou pélvica em antecipação a, durante ou
como resultado de penetração vaginal.
4. Tensão ou contração acentuada dos músculos do assoalho pélvico durante tentativas
de penetração vaginal.


Na faculdade de Ciências Médicas, onde trabalho e coordeno o ambulatório de sexologia, fazemos trabalhos interdisciplinares sobre dor sexual, principalmente em conjunto com o departamento de fisioterapia da saúde da mulher. Em meu consultório particular, já atendi uma centena de mulheres com dor sexual. Essas mulheres  perambulam de consultório em consultório sem encontrar tratamento adequado, pois o conhecimento do problema é pequeno, entre os profissionais. Trata-se de uma área em que os estudos são crescentes. Há muito interesse no tema. 
A síndrome de dor sexual é uma síndrome psicossomática e assim deve ser abordada. Está fora do escopo deste artigo aprofundar mais sobre as causas, os procedimentos de tratamento, etc...
Para as mulheres que entendem bem a língua inglesa, indico um livro sobre o tema, escrito para leigos, denominado "When Sex Hurts ", de Andrew Goldstein, Corline |Pukall e Irwin Goldstein,, editora Da. Capo, Press., Em português há um livro específico de Fátima Protti e Oswaldo Rodrigues Júnior, intitulado "Vaginismo" da editora Biblioteca 24x7. Há artigos meus publicados em várias revistas médicas e no meu blog em artigos anteriores(onde se encontram as referências aos artigos)
O mais importante é a mulher entender o que tem e saber onde e como procurar ajuda, e acreditar que é possível ter uma vida sexual sem dor.

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

INFLUÊNCIA DA AMAMENTAÇÃO NA SEXUALIDADE

INFLUÊNCIA DA AMAMENTAÇÃO NA SEXUALIDADE

Se pudermos dizer que a natureza é perfeita não poderíamos escolher melhor momento do que a amamentação para provar isso. Se a coisa a ser feita é dedicar-se ao bebê, então nada melhor do que esquecer o marido. Assim é que que a maioria das mulheres, nesta fase da vida, diminui muito o desejo sexual. O bebê chora de três em três horas, seja de fome ou de outra necessidade fisiológica, e a mãe que é agora um almoço ambulante tem que estar a postos. O fator fisiológico é o antagonismo entre a prolactina( o hormônio do leite) e a dopamina(o neurotransmissor do prazer). Um não combina com o outro. Se um está elevado, o outro está baixo. É Deus regulando a sobrevivência dos filhotes? E a fidelidade conjugal, onde fica?
Para mim, que sou sexólogo e ginecologista, chega aquela hora em que devo dizer à mulher: isso deve ser por causa disso.
É na hora em que ela pergunta: - por que estou sem desejo sexual?

Se digo que é por causa da amamentação corro o risco de prejudicar o bebê, que não tem nada com isso, se a mãe está com tesão ou não. Pois daí ela vai dizer: - então me dá o remédio para secar o leite. Ela sabe que não vai perder o bebê por causa disso, já o marido!

Se não digo nada estou omitindo algo que ela tem direito de saber, mesmo que não seja uma verdade absoluta(como se houvesse alguma verdade não absoluta).

Em suma, período até 6 meses após o parto não é fácil pra ninguém, nem mesmo para o bebê. O parto, como costumo dizer a minhas clientes, não é um piquenique.

É claro, estarão pensando, não é só isso, há muitas outras coisas envolvidas. Eu sei, sexualidade é complexa, amor é complexo, vida a dois é complexa, etc...etc... Mas que ainda não conseguimos dominar nossos hormônios, isso não conseguimos.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

SÍNDROMES DE DOR SEXUAL- VAGINISMO E DISPAREUNIA- COMO ENTENDER A SUA DOR

Vou publicar semanalmente artigos sobre este tema,  a partir do trabalho que faço em meu consultório como ginecologista e sexólogo, e a partir da literatura médica que  leio.
O assunto é do interesse de todas as mulheres, pois  15 a 30% delas sentem dor ao fazer sexo.
Vou começar todas as postagens com o mesmo texto , para explicar a fonte de minhas publicações .
Estou lendo um livro que indico a todas as pessoas que consigam ler em inglês. Chama-se When Sex Hurts. É um livro sobre Vaginismo e Dispareunia, que significa a dor na hora de fazer sexo, coisa que cerca de um terço das mulheres sente.
Vocês conseguem comprar o livro no formato e-book. Os autores são Andrew Goldstein, Caroline Pukall e Irwin Goldstein. A editora é DaKapo Press(www.dakapopress.com).Para os que não podem comprar o livro ou não conseguem ler em inglês, vou resumir o tema aqui no facebook, pois o livro é escrito para mulheres leigas, para ajudá-las a resolver este problema por elas mesmas, ou pelo menos para o entenderem.
 Então, comentando mais um tema do livro, vamos falar sobre algo muito importante: explicar a dor.
Sempre que sentimos alguma dor, que é algo muito subjetivo, sabemos  o que sentimos, mas temos dificuldade de explicar  esta sensação(transformá-la em um pensamento lógico).
Assim, quando o médico pergunta: - Como é mesmo essa dor? , a mulher tende a responder:- É uma dor dolorida.
Não pensemos que ela é idiota ao dizer isso. É dificil mesmo definir o que sentimos.
Por esse motivo, aconselho a todas as mulheres com dor sexual a tentarem definir mentalmente o que sentem. Esforcem-se, pois quando melhor conseguirem explicar, melhor o médico saberá ajudá-las, isso porque a característica da dor é relacionada à sua origem.
Então procure imaginar o melhor que puder se a dor que você sente é: uma pressão, uma picada, um latejamento, uma cólica, uma queimação, uma coisa rasgando, etc. 
Veja também com o que ela se relaciona, se é constante ou não, se está relacionada a algum período(piora com a menstruação, ou melhora, piora com o frio, ou piora, etc). Se ela acontece em alguns dias e em outros não, tente imaginar o que a faz ser inconstante(ou constante).
Tente definir em que parte da vagina dói. se é na entrada, no meio ou no fundo.
Todas essas informações são muito importantes para o médico, e também para você, pois prestar atenção à sua dor a fará entendê-la melhor e encontrar os motivos dela.

sábado, 23 de maio de 2015

VAGINISMO E DISPAREUNIA, SÍNDROMES DE DOR SEXUAL, EXPLICANDO ÀS MULHERES( E AOS HOMENS) INTERESSADOS

Vou publicar semanalmente artigos sobre este tema,  a partir do trabalho que faço em meu consultório como ginecologista e sexólogo, e a partir da literatura médica que  leio.
O assunto é do interesse de todas as mulheres, pois  15 a 30% delas sentem dor ao fazer sexo.
Vou começar todos as postagens com o mesmo texto abaixo, para explicar a fonte de minhas publicações .
Estou lendo um livro que indico a todas as pessoas que consigam ler em inglês. Chama-se When Sex Hurts. É um livro sobre Vaginismo e Dispareunia, que significa a dor na hora de fazer sexo, coisa que cerca de um terço das mulheres sente.
Vocês conseguem comprar o livro no formato e-book. Os autores são Andrew Goldstein, Caroline Pukall e Irwin Goldstein. A editora é DaKapo Press(www.dakapopress.com).Para os que não podem comprar o livro ou não conseguem ler em inglês, vou resumir o tema aqui no facebook, pois o livro é escrito para mulheres leigas, para ajudá-las a resolver este problema por elas mesmas, ou pelo menos para o entenderem.
Resumindo o próximo capítulo do livro, com o qual concordo completamente, vamos falar porque é tão dificil encontrar o médico certo para tratar esse problema.
Já dissemos que os médicos são treinados para tratarem dores agudas e não são bons para as dores crônicas. Primeiro porque são tratamentos complexos e segundo por serem pacientes que, devido ao seu sofrimento longo, são emocionalmente abaladas e demandam muita atenção.
Mas se você é mulher e está com um problema como este, veja como fazer. 
Os profissionais aptos para lhe ajudar são: um médico com formação em sexologia e medicina sexual. Há muitos que se dizem capacitados, mas, acredite, não há cem na cidade que fizeram a formação adequada. Se você entrar no site do conselho de medicina e procurar por médicos sexólogos não encontrará mais de 20. Hà um ano fiz essa pesquisa e só encontrei sete. Isto porque para o médico se apresentar como tendo uma subespecialidade ele precisa  registrar seu título no conselho de medicina e como a maioria dos que se dizem sexólogos não têm títulos oficiais não o fazem. Então já lhe dou a primeira dica. Procure no site do crm por um médico inscrito nessa especialidade.
Se você é de minas gerais veja o link:
 http://sistemas.crmmg.org.br/v2/sys-php/pesquisa-medicos/pesquisa-medicos1.php

Se você for de outro estado faça o mesmo no crm de seu estado ou entre no site e procure sobre pesquisa de médicos inscritos.
Se na especialidade sexologia houver o nome de seu médico então ele é um médico com boa formação.
Mas isso só não basta. É preciso saber se ele tem trabalhos na área. Você pode ver o currícullum dele no seguinte link:
ttps://wwws.cnpq.br/cvlattesweb/pkg_cv_estr.inicio
Se o currículum dele estiver nesse site ele é um currículum registrado no cnpq que é o site oficial de pesquisas do Brasil...
Depois você pode entrar no site da associação de ginecologistas, ou de urologistas, de qual especialidade ele for sócio, e ver se ele atua lá. Em Minas Gerais você entra no site
www.sogimig.org.br
Você verá a atuação dele na sua sociedade...quais os assuntos que ele apresenta nos congressos, etc..
Feito isso você pode ir com segurança a um médico que entende do seu problema.
Isso porém, não garante que será bem atendida, pois um médico(ou qualquer outro profissional), não é 
só um currículum, mas também, uma pessoa, que deve ser ético, empático e competente.
Isso você só saberá sendo atendida
Você pode começar pelo médico, que se for bom o suficiente, saberá indicar fisioterapeutas, psicólogos 
outros profissionais que saberão ajudá-lo.
Mas você também pode começar procurando um psicólgo, ou um fisioterapeuta, ou um psiquiatra,
mas seria bom fazer todas as fases de procura que indiquei antes, nos conselhos específicos.
Por que é tão impossível essa pesquisa prévia.
Porque são poucos os profissionais que entendem do problema, e você corre um risco de ser tratada
empiricamente, ou ser passada de profissional em profissional, ou de gastar muito dinheiro sem fazer
o tratamento adequado, e de ter o seu problema piorado ao invés de melhorado, se cair nas mãos
de alguém que não souber atendê-la.
Continuaremos amanhã.