terça-feira, 26 de julho de 2016

CASAMENTO E SEXO, OU, CASAMENTO É SEXO

Premissa número um:quem casa  pretende ter uma vida sexual com o cônjuge.
Premissa número dois: o que faz duas pessoas que moram juntas serem  casadas é o fato de praticarem o sexo.
Premissa número três: quando um dos cônjuges decide não praticar o sexo com o outro cônjuge, a instituição casamento está em dificuldades
A falta de desejo sexual de um parceiro  tem sido explicada de muitas maneiras. Eu considero o sexo a motivação para a vida íntima e  a falta de desejo sexual pelo parceiro está relacionada à desistência desta parte fundamental do casamento. Assim, se os conjuges permanecem juntos sem fazer sexo são sócios, amigos, mas não cônjuges. Não escrevo aqui marido e esposa porque isso é válido também para casais homossexuais.
O cônjuge que não quer fazer sexo com o outro não o quer por que?:
a)já tem outra pessoa?
   
b)pretende ter outra pessoa?
   
c)não tem outra pessoa mas não mais ama o cônjuge?

d) O cônjuge tem um problema físico que bloqueia o desejo sexual?

O cônjuge que não quer sexo, mesmo sem querer força o outro a procurar outra pessoa.

Admitem muitos que os problemas de desejo sejam causados, na maioria das vezes, por questões hormonais. Larguei desta teoria após anos e anos de trabalho como sexólogo: cansei de ver homens e mulheres castrados cirurgicamente e com muito apetite sexual: para isso bastava amar seus(suas) parceiros(as),   Admitem outros que sexo é estética. Larguei desta teoria após ver pessoas sentindo muito desejo por seus cônjuges aleijados, doentes, obesos, envelhecidos, drogados, etc..
Eu excluo aqui os casamentos por interesse ou por violência doméstica, que são situações especiais.
Casamento para mim é sexo e sexo é desejo de intimidade. Desejo de intimidade não é o amor, mas um componente fundamental dele.
Para fazer sexo o que sempre se precisa é motivação para vida entre quatro paredes. A motivaçao está dentro de cada um, ou chamemos isso de atração,  vontade, abnegação, altruísmo, ou amor.


sábado, 7 de maio de 2016

QUAL A DIFERENÇA ENTRE VAGINISMO E DISPAREUNIA?


As dúvidas sobre o tema incentivaram-me a escrever algo sobre as síndromes de dor sexual, chamadas  de VAGINISMO E DISPAREUNIA. Mesmo no meio médico, pouca gente sabe o que é isso, ou qual a diferença entre essas duas disfunções sexuais. 
O vaginismo é  quando a mulher de alguma forma atrapalha ou impede a penetração vaginal(seja pelo pênis, ou por absorventes íntimos, ou por aparelhos ginecológicos, ou brinquedos sexuais) devido a  uma contração dos músculos internos.   Já a dispareunia é a dor à penetração. A mulher  sente dor, seja durante a relação sexual, ou na masturbação, na introdução de outros objetos, etc., e às vezes mesmo sem nenhuma penetração. 
O DSM-V, que é o manual da Associação Psiquiátrica Americana(APA) que regula os diagnósticos das doenças mentais retirou esses dois diagnósticos da publicação, englobando-os em um único nome: Transtornos da Dor Genito-Pélvica e da Penetração. Isso porque a a dispareunia e o vaginismo são às vezes indistinguíveis um do outro ou quase sempre aparecem juntos. O componente  destas duas disfunções é um medo da penetração vaginal, seja porque ela causa dor, sente porque a mulher tem medo de sentir a dor. O grau de medo varia de mulher para mulher, podendo  chegar a ser uma verdadeira fobia. Hoje em dia há muitos tratamentos para a dispareunia e o vaginismo, ou como quer o DSM-V, para o transtorno da dor gênito-pélvica e da penetração, mas sabemos que o melhor de todos os tratamentos é interdisciplinar. Medicina, psicologia e fisioterapia, podem oferecer uma abordagem conjunta para a melhor resolução. Estas síndromes são mais complexas do que parecem e existe até uma associação internacional para o estudo delas. Só muito recentemente na medicina passamos a dar a verdadeira importância a elas, pois entre 15 a 25% das mulheres as possuem. 
 Para que se considere que a mulher tem o transtorno de dor gênito-pélvica e da penetração é preciso que :
a) o transtorno esteja ocorrendo há mais de 6 meses
b)Ele ocorra em mais de 75% das tentativas de penetração vaginal
c)Ele esteja provocando sofrimento psíquico à mulher(esse critério é muito importante).


Na faculdade de Ciências Médicas, onde trabalho e coordeno o ambulatório de medicina sexual , fazemos trabalhos interdisciplinares sobre dor sexual, principalmente em conjunto com o departamento de fisioterapia da saúde da mulher. Em meu consultório particular, já atendi uma centena de mulheres com dor sexual. Essas mulheres  perambulam de consultório em consultório sem encontrar tratamento adequado, pois o conhecimento do problema é pequeno entre os profissionais. Trata-se de uma área em que os estudos são crescentes. Há muito interesse no tema. 
A síndrome de dor sexual é uma síndrome psicossomática e assim deve ser abordada. 


segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

INFLUÊNCIA DA AMAMENTAÇÃO NA SEXUALIDADE

INFLUÊNCIA DA AMAMENTAÇÃO NA SEXUALIDADE

Se pudermos dizer que a natureza é perfeita não poderíamos escolher melhor momento do que a amamentação para provar isso. Se a coisa a ser feita é dedicar-se ao bebê, então nada melhor do que esquecer o marido. Assim é que que a maioria das mulheres, nesta fase da vida, diminui muito o desejo sexual. O bebê chora de três em três horas, seja de fome ou de outra necessidade fisiológica, e a mãe que é agora um almoço ambulante tem que estar a postos. O fator fisiológico é o antagonismo entre a prolactina( o hormônio do leite) e a dopamina(o neurotransmissor do prazer). Um não combina com o outro. Se um está elevado, o outro está baixo. É Deus regulando a sobrevivência dos filhotes? E a fidelidade conjugal, onde fica?
Para mim, que sou sexólogo e ginecologista, chega aquela hora em que devo dizer à mulher: isso deve ser por causa disso.
É na hora em que ela pergunta: - por que estou sem desejo sexual?

Se digo que é por causa da amamentação corro o risco de prejudicar o bebê, que não tem nada com isso, se a mãe está com tesão ou não. Pois daí ela vai dizer: - então me dá o remédio para secar o leite. Ela sabe que não vai perder o bebê por causa disso, já o marido!

Se não digo nada estou omitindo algo que ela tem direito de saber, mesmo que não seja uma verdade absoluta(como se houvesse alguma verdade não absoluta).

Em suma, período até 6 meses após o parto não é fácil pra ninguém, nem mesmo para o bebê. O parto, como costumo dizer a minhas clientes, não é um piquenique.

É claro, estarão pensando, não é só isso, há muitas outras coisas envolvidas. Eu sei, sexualidade é complexa, amor é complexo, vida a dois é complexa, etc...etc... Mas que ainda não conseguimos dominar nossos hormônios, isso não conseguimos.

sábado, 23 de maio de 2015

VAGINISMO E DISPAREUNIA, SÍNDROMES DE DOR SEXUAL, EXPLICANDO ÀS MULHERES( E AOS HOMENS) INTERESSADOS


Nós médicos somos bem treinados para tratar dores agudas e não somos bons para as dores crônicas ,primeiro porque são tratamentos complexos e segundo por serem pacientes que, devido ao seu sofrimento longo, são emocionalmente abaladas e demandam muita atenção.
Mas se você é mulher e está com um problema como este, veja como fazer. 
Os profissionais aptos para lhe ajudar são: um médico com formação em sexologia e medicina sexual. Há muitos que se dizem capacitados, mas, acredite, não há tantos assim que possuem a formação adequada. Se você entrar no site do conselho de medicina e procurar por médicos sexólogos não encontrará mais de 20. Hà um ano fiz essa pesquisa no CRM de Minas Gerais e só encontrei sete. Isto porque para o médico se apresentar como tendo uma subespecialidade ele precisa  registrar seu título no conselho de medicina e como a maioria dos que se dizem sexólogos não têm títulos oficiais não o fazem. Então já lhe dou a primeira dica. Procure no site do CRM de seu estado por um médico inscrito nessa especialidade.
Se você é de minas gerais veja o link:
 http://sistemas.crmmg.org.br/v2/sys-php/pesquisa-medicos/pesquisa-medicos1.php

Se você for de outro estado faça o mesmo no CRM de seu estado ou entre no site e procure sobre pesquisa de médicos inscritos.
Se na especialidade sexologia houver o nome de seu médico então ele é um médico com boa formação.
Mas isso só não basta. Você pode querer saber se ele tem trabalhos na área. Você pode ver o currícullum dele no seguinte link:
ttps://wwws.cnpq.br/cvlattesweb/
Se o currículum dele estiver nesse site ele é um currículum registrado no cnpq que é o site oficial de pesquisas do Brasil...
Depois você pode entrar no site da associação de ginecologistas, ou de urologistas, de qual especialidade ele for sócio, e ver se ele atua lá. Em Minas Gerais você entra no site
www.sogimig.org.br
Você verá a atuação dele na sua sociedade...quais os assuntos que ele apresenta nos congressos, etc..
Feito isso você pode ir com segurança a um médico que entende do seu problema.
Isso porém, não garante que será bem atendida, pois um médico(ou qualquer outro profissional), não é 
só um currículum, mas também, uma pessoa, que deve ser ético, empático e competente.
Isso você só saberá sendo atendida.
Mas você também pode começar procurando um psicólogo, ou um fisioterapeuta, ou um psiquiatra,
mas seria bom fazer todas as fases de procura que indiquei antes, nos conselhos específicos.
Por que insisto que conhecer o profissional com quem você consulta é importante?
Porque são poucos os profissionais com formação formal em sexologia, e você corre o risco de ser tratada
empiricamente, ou ser passada de profissional em profissional, ou de gastar muito dinheiro sem fazer
o tratamento adequado, e de ter o seu problema piorado ao invés de melhorado.


sábado, 15 de setembro de 2012

VIOLÊNCIA NO PARTO


VIOLÊNCIA NO PARTO, ASSUNTO COMPLEXO.

Neste fim de semana estivemos reunidos(os médicos da Associação dos Ginecologistas de Minas Gerais- SOGIMIG) na sede da Associação Médica de Minas Gerais,  para discutir a realidade brasileira quanto à violência no parto,  os altos índices de  cesarianas  e o parto domiciliar, temas do momento nos quais estamos no centro.
A discussão não é simples e também não pode ser polarizada.
Maternidades deveriam ser os sítios mais agradáveis possíveis para onde as grávidas se dirigissem na hora de parir, mas infelizmente não são. Se as mulheres estão preferindo ter o parto em suas próprias casas é porque algo, no hospitais, as afasta deles. É lógico pensar que é mais seguro ter um filho em um local totalmente equipado, com equipes de saúde e tecnologia. É lógico pensar, também, que a vivência do parto exige privacidade, presença de familiares e segurança emocional.  Afinal, há algum mal em se querer ter um parto em casa? Antigamente não era assim? Se os hospitais existem, não são para não corrermos riscos desnecessários?
 Algumas estatísticas demonstram claramente que há mais riscos no parto hospitalar e outras que há mais  no parto domiciliar. Há consenso, porém, de que o parto domiciliar não deva ser feito se não houver possibilidade de encaminhamento rápido a hospital em caso de emergência(há consenso também de que o tempo máximo entre estar em casa e chegar ao hospital é de cerca de 40 minutos); há consenso de que o parto por cesariana a pedido aumenta o risco materno, principalmente a partir da segunda cesariana(riscos de placenta prévia, partos prematuros, etc....).
Os médicos sempre estão amarrados nas contraditórias leis éticas do direito de escolha e  da objeção de consciência. Por exemplo: a cesariana a pedido expõe a paciente a maior risco, segundo a maioria das pesquisas(portanto, médicos terão objeção de consciência de aceitar um pedido que para eles não é a melhor opção médica). Negar às mulheres a sua solicitação é ir contra o direito ético de escolher(o que ela imagina ser o melhor para ela) . Como agir, então?
 O mesmo se aplica ao parto domiciliar, em certo sentido.
Há a possibilidade dos médicos explicarem às pacientes os prós e contras de suas opções e fazerem-nas assinar um termo de consentimento baseado nas informações dadas, mas aqui ocorre algo mais complicado ainda. Por melhor explicação que se dê, é muito diferente o entendimento de uma pessoa leiga no assunto de outra que estudou anos para sabê-lo e tem uma vivência prática no assunto. Se o médico explica à paciente que o parto domiciliar pode ser perigoso pois pode haver um sofrimento fetal agudo durante o trabalho de parto e ele tenha que agir rápido para operá-la(o que não poderia fazer na casa dela) a paciente pode alegar que  tem fé em Deus de que nada ocorrerá, ou que o risco é muito pequeno e ela está disposta a corrê-lo(pessoalmente já ouvi esta justificativa várias vezes); nesse caso se o médico tivesse um vídeo de algum caso real e o mostrasse a ela ( e ela visse o desespero d e uma  equipe obstétrica tentando salvar a vida do bebê, a correria para o hospital até o desfecho final, que pode ser favorável ou não) será que a paciente ainda continuaria com seu propósito, ou mudaria de opinião?
Ao mesmo tempo, quando uma paciente relata na TV como foi mal atendida em um hospital(ou quando assiste a um vídeo de mulheres esperando horas para atendimento, sentindo dores, ou naquela enorme enfermaria de mulheres gritando com um só médico a atendê-las ou ouve relatos de mulheres vítimas de erro médico) quantas delas decide naquela hora: não quero ir para lá na hora de meu parto? Uma coisa é a vida pensada, outra a vida vivida.
A  nossa reunião na Associação Médica demonstrou que os médicos(pelo menos os que ali estavam) são sensíveis às causas das mulheres, reconhecem que há uma violência institucional(que se tornou cultural), e se vêm como parte disso. Percebem que é hora de revisão  de paradigmas. Um bom caminho é debater o assunto(tão importante) com sabedoria, dialética,  cientificidade e respeito todos os aspectos de cada questão, tendo em vista, principalmente o bem da gestante e a possibilidade de que seu filho nasça nas melhores condições sociais, emocionais e físicas.
A minha opinião é de que o parto domiciliar pode ser feito, em algumas condições: se há uma ambulância adequadamente equipada à disposição da gestante durante todo o trabalho de parto;  se há condições técnicas da gestante chegar ao hospital em menos de quarenta minutos em caso de emergência; se a gestação não é de alto risco; se  a avaliação obstétrica é altamente favorável ao parto normal;  se a equipe médica está equipada para dar a ela tudo o que daria no parto hospitalar. Assim é feito na Holanda, por exemplo, onde 30% dos partos são hospitalares.
A minha opinião é que a cesariana a pedido não deveria ser realizada. Se é sabido que isso expõe a paciente a riscos desnecessários(principalmente a partir da segunda cesariana) há uma clara objeção de consciência médica em jogo e uma negação tácita dos princípios básicos da bioética. Na minha opinião o avanço nos direitos legais da mulher, a consciência social crescente, os avanços da medicina e os direitos constitucionais fazem com que  seja hora de uma discussão ampla sobre a violência institucional na assistência ao parto e os meios de eliminá-la.














terça-feira, 24 de julho de 2012

REALIDADES PRESUMIDAS: MITOS E EQUÍVOCOS SOBRE A SEXUALIDADE FEMININA

Amigos, aqui vão algumas dicas sobre a sexualidade feminina que adaptei i às que retirei do Livro Descobrindo o Prazer. Editora Summus Editorial. Julia Heiman e Joseph Lopiccolo.

Mito 1: O desejo das mulheres acaba com a idade.
Ao contrário, a maioria das melhoras melhora sua performance sexual com a idade. Há um tempo em que a sexualidade sofre uma transformação radical: período do climatério-menopausa. Aqui as coisas podem tender para um lado ou para o outro, mas ao contrário do que pensa a maioria, nessa época as melhoras costumam melhorar sexualmente, mais do que piorar.

Mito 2-As mulheres só têm orgasmo quando fazem amor.
Mentira, há mulheres que gostam de fazer sexo sem amor, há mulheres que fazem amor mas não têm orgasmo, amor sexo e orgasmo costumam ser coisas separadas, embora o amor seja importante para muitas mulheres e as façam melhorar sexualmente.

Mito 3- As mulheres normais têm orgasmo em todas as relações sexuais.
Mulheres normais têm relações sem orgasmo, algumas vezes. É claro que não ter orgasmo nunca, de nenhuma forma pode ser um problema.

Mito 4- Todas as mulheres têm orgasmo múltiplo.
Um quarto das mulheres têm orgasmo múltiplo. A maioria delas só tem uma vez e pronto.

Mito 5- O verdadeiro orgasmo é o vaginal.
Há mulheres que têm orgasmo vaginal e há as que têm de outras maneiras(sexo anal, fantasias, determinados tipos de masturbação...etc). A maioria delas têm orgasmo mesmo é pela fricção do clitóris contra alguma coisa(o vibrador, o pênis, o dedo, o travesseiro, a língua....etc...)

Mito 6-Mulheres normais não têm fantasias sexuais e nem usam pornografia.
Muitas mulheres normais têm fantasias sexuais e fantasias sexuais são sempre bem cabeludas(nunca é : fazer amor na posição papai mamãe na cama de casal com meu esposo) e algumas mulheres gostam de pornografia embora a pornografia seja basicamente utilizada por homens(pelo menos o tipo de pornografia que mais se vê ).

segunda-feira, 16 de julho de 2012

RITMO SEXUAL DESEJO E COMPULSÃO SEXUAL..OS PROBLEMAS QUE ELES CAUSAM


RITMO SEXUAL, DESEJO SEXUAL BAIXO E COMPULSÃO SEXUAL...AS DIFERENÇAS E OS PROBLEMAS QUE ELES CAUSAM.

O saudoso sexólogo Nelson Vitiello gostava muito de usar a expressão "adequação" para demonstrar como os casais combinavam ou não em suas relações.
Por exemplo, inadequação social pode haver quando os pares vêm de classe social diferente...inadquação conjugal quando as perspectivas e metas dos pares são diferentes, inadequação sexual quando os ritmos, a atração e a forma de agir sexualmente são diferentes. 
Há casais com ótima adequação social e inadequação conjugal. Há casais com adequação conjugal e inadequação sexual...e assim por diante. O ideal é que tivéssemos todas as adequações, mas como disse Caetano Veloso, a vida é real e de viés.
Vamos começar pela questão do ritmo sexual. Como o desejo sexual é um apetite, tal qual a fome, a sede, o sono, cada pessoa tem um ritmo, uma necessidade. Há pessoas que se satisfazem com uma relação sexual a cada quinze dias...há outras que a necessitam todos os dias. Como fazer se alguém do primeiro exemplo se casa com outro do segundo exemplo?  
Daí vem a segunda questão: alguém cujo ritmo é fazer sexo uma vez ao dia pode perfeitamente esperar pelo outro que tem ritmo de quinze dias(desde que o ame e compreenda suficientemente), mas é impossível alguém cujo ritmo seja de quinze em quinze dias forçar seu desejo a ser todos os dias. Mas o que tem desejo sexual todos os dias....se é uma pessoa "normal"(odeio essa palavra mas não encontro outra) sexualmente conseguirá esperar sem problemas, enquanto o que é compulsivo sexualmente passará por todos os sintomas de qualquer compulsão(síndrome de abstinência)...dor de cabeça, necessidade premente de se masturbar...tentativa de obrigar o cônjuge a fazer sexo sem vontade...busca por sexo inseguro, etc...
Situação dificil esta, porque em nossa sociedade sempre considera-se bom o ter mais, ou quanto mais melhor. mas como alguém vai ter mais desejo num clique de mágica? O desejo sexual não se compra na esquina, pelo menos todos tentam um dia achar aquela pílula mágica que faz isso, mas não existe.
Acho a adequação social tão complicada quanto. Uma amiga que tinha sérios problemas sexuais encontrou o homem da sua vida.....sexualmente falando. Quando se encontravam saía faíscas prá todo lado. O problema é que era uma pós-doutora e ele um pré-primário. Quando encontravam a turma dela....de pós-doutores, era o fulano falando nós vai nós foi....por mais tesão que ela tinha por ele a gramática falou mais alto e se separaram. Às vezes é dificil encontrar a pessoa adequada. Ela se adequa em um ponto, não se adequa em outro. Imaginem o cara procurando pela pessoa ideal. Pode encontrar, mas custa, em geral a vida é meio imperfeita mesmo, mas no sexo considero que a congruência é muito importante. Relaçao conjugal sem sexo não é casamento, é sociedade, irmandade, amizade, mas não é casamento. Sexo é mais importante do que parece e tão complicado quanto parece.